Monteiro Lobato e a criação do Jeca Tatu

Com certeza você já ouviu falar do Jeca Tatu, personagem fictício do consagrado autor Monteiro Lobato. Criado em 1918 através do livro Urupês, esse personagem virou até mesmo uma palavra ofensiva para descrever alguém que é preguiçoso e ignorante.

Como esse personagem fictício conseguiu tornar-se um termo ofensivo?

Para entendermos como chamar alguém de Jeca Tatu é ofender essa pessoa, precisamos voltar ao ano de 1918, onde o personagem fora criado. Naquela época, era muito comum os escritores falarem em seus livros a respeito da vida campestre, como a mesma era simples e agradável e como o caipira era uma pessoa feliz, pois não tinha muito com o que se preocupar.

Monteiro Lobato rompeu com esse clichê, e criou o Jeca para mostrar a realidade do homem do campo: uma pessoa pobre, que leva uma vida difícil e que só é lembrado pelos políticos em tempos de eleição. Então, Monteiro Lobato rompe com essa romantização do homem do campo que era retratado na época, mostrando o Jeca Tatu, uma pessoa preguiçosa, que não almeja nada na vida, que passa o tempo livre bebendo cachaça e procurando alguma forma de se dar bem na vida, sem precisar fazer esforço, é claro.

No livro de Lobato, os políticos não se importam com o povo do interior, e só fingem que se preocupam. E quando chega o período eleitoral, o Jeca não tem nenhuma perspectiva de mudança, já que são pessoas como ele que elegem os governantes que fazem falsas promessas e tiram proveito da ignorância de pessoas como o Jeca Tatu.

Urupês tornou-se um sucesso de vendas no Brasil e no mundo, mostrando para todos como o homem do campo é visto pela sociedade. É um livro de leitura obrigatória para entendermos o aspecto social da época. E você inclusive poder ler gratuitamente, já que esse escritor é de domínio público.